Garoto Sensitive







"As minhas lágrimas possuem o peso do céu e não caem, transbordam sinestesias e ainda assim permanecem no fundo da xícara. São oscilantes como pássaros em gaiolas, preenchendo vôos de permanências e criando asas com medo de altura. Meu bem, todos os meus olhos são poucos para os pontos cegos incontáveis que ainda desejo avistar, pras coisas impossíveis que invento no intervalo da sanidade. E o mundo me parece tão distante que eu ainda procuro apalpar qualquer realidade no chão do meu quarto, mesmo que toda luz pareça pouca quando o que se teme é o escuro de nós mesmos. Ainda procuro por muros que não impeçam corações revolucionários de pertencerem a si mesmos. Só o que sei é que as fugas que guardo entre os meus dedos são grandes demais para caberem nesses egos já ocupados por ódio e orgulho, e que as linhas da palma da minha mão são os horizontes dos meus mundos demolidos. Tudo que compreendo é que não caibo nesse lugar de onde já fui embora e que, em teus lábios, toda mentira se torna conveniente e qualquer verdade irreal. Você sabe que o delírio é uma sentença que só quem é julgado com pena de vida possui, e só quem morre num paradoxo conhece. Eu sou insana como as galáxias que coleciono. E mantenho o silêncio porque, entre tantas liberdades ditatoriais, não consigo mais escutar minha voz deslocada no meio de tantos surdos. Porque as avenidas ressoam num pedido subjetivo de calmaria, e todos que a atravessam ainda olham através das janelas e nunca para dentro de si. Porque é fácil ouvir os gritos que nada dizem, tanto quanto é impossível de se entender sussurros de paz durante a guerra."
-Unirversos     (via morbidavel)


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